quinta-feira, 19 de novembro de 2009

teoria do filete

tudo está por um filete
que mal se nota
que não pesa
que ainda resta
e se equilibra em estilete

se para


a distância nos separa

o ar nos separa
a roupa nos separa
a camisinha nos separa
a pele nos separa
a carne nos separa
o osso nos separa
o tutano nos separa
nada nos separa

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

pau de bilboquê

entre o clichê e o óbvio
entre o óbvio e o demodê
entre o demodê e o simplório
entre o simplório e o bilboquê
- uma esfera furada
ligada por uma corda a um pau
que entra no furo da esfera -
entre o bilboquê e o simplório
entre o simplório e o demodê
entre o demodê e o óbvio
entre o óbvio e o clichê

coito

meio

move on

mexa-se
adiante
veja como queima
como tudo muda

mexa-se
adiante
sinta como queima
o amor de rancor

a colisão das almas
ilusão do corpo
não viva
sob abrigo

mexa-se
adiante
há sinais
a serem lidos

mexa-se
adiante
dos amigos
meros conhecidos

mexa-se
sem medo
tudo queima
mudo

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

leque do podólatra

a questão da autoria

sobre religião

Furibundo, depois de decorar de cabo a rabo, principalmente rabo, o clássico diálogo entre um padre e um moribundo, nocauteou sem pieguice nem piedade o beato meditabundo, deixando-o de bruços, à mercê da súcia atéia.
O pobre pregador, prestes a perder todas as pregas de sua pregação, tentou instaurar prolegômenos pré-iluministas para fundar o templo da santa presunção cujas regras seriam:

1. adorar um prego pregado na parede.
2. durante os sermões, todos os fiéis deveriam chupar um prego de grosso calibre.

quadrantantigo

agora que katmandu é fumaça de memória,
fotograma único de uma existência fílmica,
lastro de elástico esticado,
lasca desdobrada de um aleph,

agora que o poema está do lado de fora,
e a prosa da vida em delongas se demora,
um lapso seu assalta minha história
e tudo dança no instante dessa hora.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

depois da chuva

a vida boiando depois da chuva
a bota submersa
o leito recém nascido

a fatalidade na rua
a rota inversa
o beijo bem curtido

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

ele disse, ela disse

ele disse, eu te amo,
com boca seca e língua dormente
de quem diz o que não quer
e mostra o que não sente

ela disse, eu não te amo,
com boca úmida e língua fremente
de quem sabe o que quer
e bota a faca entre os dentes

ÓculOs

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

ahhhh! já passou...

video

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

aramemaranhado


arames
eriçam
da
pele
da gente


mesmo
depois
da
pele
morta

quinta-feira, 29 de outubro de 2009


há que amolecer as fechaduras

sem endurecê-las jamais

terça-feira, 27 de outubro de 2009

quadrante 27102009

não era qualquer um definitivo,
cada dia era, exato, um outro dia,
cada soma um rescaldo de cultivo,
cada luva veludo de coxia.

nenhum lugar, abrigo. a cara um uivo
vivo, um abraço de melancolia
no que for cinza, morno, baço, fixo,
um tapa diferente, de alegria.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

ateus pés

teu pé não é pedaço apartado
é o antepasto
nascido ao final do parto
é solo que me assola,
é teu corpo todo exposto,
é planta que desponta
é o creme do meu rosto

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

quadrante 21102009

não importa a ânsia do vário,
nada de céu, nada de sério
tem importância nessa ida
que descarta o que vai ainda

ri da ferida falsa,
do falso adulto quase morto,
das malas com alça,
do que não se quer torto.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

sepetiba 8

aqui tem coisa torta

coisa viscosa


aqui tem coisa movente

coisa fixa


aqui tem coisa que o homem fez e desfez.






aqui tem coisa.