Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

When I hear my name
I wanna disappear

When I see my face
I wanna disappear

Jack White

samba sem flor

esse samba é bem pesado
é sem fricote
porque a vida não é fácil
é coisa forte

esse samba não é bossa nem canção
foi feito pra ninguém
não diz ao coração
nem fala do meu bem

esse samba é curto e grosso,
não tem soul,
esse samba é puro osso
é rock'n roll

esse samba sem humor
não tem choro nem vela
não rima amor e flor
nem foi feito pra ela

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

MJ tributo

video

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009



de pés dados

lápide de james brown

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009


meucorpotortoentornaemtornodeoutrocorpo



revisitado dez/2005

Furibundo, depois de decorar de cabo a rabo, principalmente rabo, o clássico diálogo entre um padre e um moribundo, nocauteou sem pieguice nem piedade o beato meditabundo, deixando-o de bruços, à mercê da súcia atéia.
O pobre pregador, prestes a perder todas as pregas de sua pregação, tentou instaurar prolegômenos pré-iluministas para fundar o templo da santa presunção cujas regras seriam:
1. adorar um prego pregado na parede.
2. durante os sermões todos os fiéis deveriam chupar um prego de grosso calibre.

se xô

sobcéu / bajocielo - foto de Érica Magni

cuesco blanco,
amarilla luz,
tumor marrón,
como un pezón que mira el suelo
a brotar de los hilos
bajo el cielo

caroço branco,
luz amarela
,
tumor ocre
,
como um mamilo
que olha o chão
a brotar dos fios
sob o céu

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

tinha uma pedra

Apesar do mundo no caminho,
duro mundo,
foda-se a pedra.

No fundo da boca há uma boca sem fundo.

No singular sintético,
vaza o plural que sobra.

Não curto o caminho curto, curto o longo.

Óbvia e correta,
a caretice da vida,
desanda e desvia sem reta

Em toda nervura
gozo a contrapelo
sobre as dobras,
na lombada bunda,
na vulva curva.

revis(i)tado

amador 1

o amador não compete,
não se alinha à linha de partida,
não arrisca a risca de chegada.

ao amador não compete
ser somente o sol no mar
a dissolver

o amador não troca uma lasca
de fiasco atípico
por uma idéia no frasco
límpida e precisa

ao amador não pertence o físico
nem a própria hora,
vive antes
o que virá depois de agora.

amador 2

o amador não diz: puta!
soletra p r o s t i t u t a,
em cada ruga de sua transparência.

o amador não se emenda,
se vende em cada rua torta,
em troca de gozo e essência.

amador 3

o amador preenche o buraco por prazer.

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

ourobouros

video

quadrante 09062009

há um buraco negro na via láctea
que tudo suga e deságua acolá,
num lago de musas de carnes táteis
e desejos febris de se doar

suas margens são como vãos vibráteis
a contrair o pulso e a dilatar
os músculos em cirandas versáteis,
montanha russa costurando o ar.

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

ateu

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

o que há de belo numa montanha senão seu ponto de pico
grau zero, limite, fronteira a ser laçada,
lombada onde aferro minhas garras,
onde finco meu rebu roliço às gargalhadas
no ponto lépido e certeiro,
rindo a bandeiras despregadas,
do rebuliço daquelas plagas,
desse rever etéreo,
de reter teu gozo lasso,
teu gozo elástico
em revertério.

porque seu cume
atrai.

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

apud xicofux

e.go some.you

Terça-feira, 19 de Maio de 2009

arco(íri)s da lapa (da janela papaya)

sob o arco

íris além da retina

o sol inunda de amarelo

a face da rotina

cidade sem chão

janelas sem elo

ares sem neblina

olhares sem mapa

largados claros

em arcos

da lapa

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

quando não temos nada a dizer, dizemos nada

Acordava no dia seguinte
impregnado do mesmo sonho lento,
de fundo azul incontornável,
coberto de moventes pontos flutuantes de baixa velocidade,
que não se deixavam fixar por um suposto olhar clínico e desesperado,
armado de poderosa lente telescópica aparentada a gruta escura,
boca, cu, vagina
disposta a morder a rasa perspectiva daquele tufo raquítico de realidade,
montado às pressas por sinapses recônditas e aleatórias elevadas a média potência,
costuradas por linhas tortas e degradáveis.

Fechadas a chave em gavetas de fundo falso
escapam escapistas aderentes à pele fina e libidinosa,
apetecida de humores labiais, tremores clitorianos, contrações anais
e possíveis construções de línguas não-linguísticas,
pulsantes como artérias aórticas, vibráteis como circuitos de círculos viciosos...

há sempre alguém na areia
olhando em direção ao mar,
o mundo às suas costas serpenteia,
alheio ao vasto azul sem par,
repleto de vozes de sereia,
aberto ao transe desse olhar.