o seu peixe está à venda.
por algum motivo você vende o seu peixe.
você e o seu peixe, pescado por aí,
durante o dia, num café do centro.
a bunda displicentemente firme da menina
do café se movia,
o jornal aberto nos esportes,
o aroma do pó torrado,
a lembrança daquele livro
no sebo marasmático.
só quem abandona o monodrama num sebo
sabe o quanto há de sabedoria nesse cosmos
de poesia e poeira, poeira e poesia.
mas a bunda
firme da menina displicente
é plena da mais tátil realidade,
assim como o jornal, o expresso sem açucar,
o pequeno biscoito que acompanha o café,
a anotação grafada numa folha solta.
então você se levanta e toma
o caminho de volta ao sebo
para uma segunda chance,
e no caminho se pergunta
o que vem a ser palpável
além do movimento displicente
da bunda firme da menina
e do livro que se anuncia.